"Sou mais um aposentado que voltou a trabalhar.
Trabalhei como assessor especial na Prefeitura de Campinas, São Paulo, e também como professor de Jornalismo na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras "Eugênio Pacelli", em Pouso Alegre, Minas Gerais.
Descontei três anos e meio para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Como já era aposentado, tenho direito de pedir meu dinheiro de volta. É o pecúlio."
Assim começa O Pecúlio.
A idéia de escrever sobre as idas e vindas ao INSS de Campinas em busca do dinheiro
devido nasceu após eu enfrentar a quarta fila em janeiro de 94. E foi sugerida pela minha
mulher, Denise, apoiada pelos meus filhos, Marcus Antonius e Aline.
Quando comecei a escrever sobre o assunto não pensava em publicá-lo. Escrever dia após dia o que ia acontecendo comigo e com outras pessoas que se encontravam na mesma situação era uma forma de desabafo. Mais tarde, vi que tinha material em quantidade suficiente para formar um livro e acabei inscrevendo o trabalho no concurso Prêmio Estímulo de Literatura de 1994, oferecido pela Prefeitura de Campinas, do qual fui um dos três vencedores.
Como se fosse um masoquista inveterado resolvi entrar em muitas filas durante muitos meses para testar os próprios limites. Verifiquei o drama que os aposentados vivem diariamente. Ouvi conversas, vi a dificuldade de pessoas idosas para conseguirem seus direitos, senti na própria pele a intolerância e a incompetência dos funcionários.
Este pode ser um livro de auto-ajuda ou de auto-defesa para quem tiver a infelicidade de
precisar do INSS.
Para quem não acreditar que tudo aconteceu, então entre numa fila às 5h25min e converse com os aposentados que lá estão desde às três da manhã. É preciso ver para crer. Eu também não acreditava que havia tanta incompetência e intolerância no atendimento aos aposentados.
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