Shan Editores
Participei da Coleção Nacional de Contos da Shan Editores, publicado em 1998, com os contos Maracutaia, Crucificação lisérgica e Eu e meu anjo.
Se quiser comprar o livro, por favor, mande-me um e-mail.
Especificações: 139
páginas. R$ 20,00. Editora: Shan Editores.
Autores participantes: Eva Stein, Aline
Hosana Ramos da Silva, Aline Ponce de Oliveira (minha filha!), Cláudia Pacce, Creuza
Damasceno dos Santos, Franklin Cunha, Hermelindo de Oliveira, Jr Siqueira, Rodrigo César
da Silva e Rodrigo Zucatto.
Obs.: cada autor participante tinha direito a uma capa com sua foto e título específico.
Prêmio Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos da Shan Editores.
"Após os cumprimentos de rotina e antes que algum fato aleatório norteasse o rumo da conversa, Juan Pablo Menendez foi direto ao assunto que lhe interessava:
- Quero ser presidente do meu país.
O amigo sentiu o impacto da pretensão do ex-ministro como uma punhalada pelas costas. Pensou: 'como ousa este sujeito querer tomar o meu lugar!' Assimilou o golpe como um pugilista experiente, mas não pensou em devolvê-lo, porque, para ele, os interesses do povo estavam acima de qualquer ambição pessoal. Levantou-se, caminhou lentamente até um quadro todo verde na parede atrás de sua mesa de trabalho e retornou à poltrona com o rosto sereno e tranqüilidade na voz, disse:
- Tudo bem. Vamos conversar."
"Neste momento, o suicida em potencial percebeu que eles não estavam representando. Então resolveu encarar com realidade o assunto e partir para a prática.
- E você, Tadeu, posso contar com a sua ajuda para me enforcar naquela viga ali?
- Enforcamento não! Não suporto ver um enforcado balançando na ponta de uma corda. Posso crucificá-lo, se você quiser, com todo prazer - os olhos de Tadeu brilhavam intensamente e seu corpo tremia, denunciando a viagem de sua mente a um mundo de arrebatamento.
Humberto deu um pulo para trás, batendo de leve com as costas nas barras da cela. Após levar alguns segundos para se recuperar, sua resposta chegou veemente, até ríspida; numa demonstração de grande ojeriza pela cruz.
- Não! Não tenho necessidade de morrer na cruz. Eu sou judeu e meu símbolo é outro. Prefiro a forca. Nela, a consumação da morte é mais rápida e menos sofisticada."
"De repente, assim do nada, meu anjo apareceu e levou uma bronca por ter sumido. Ele se desculpou e disse que foi descobrir coisas sobre mim e que, finalmente, eu poderia saber tudo. Humildemente, pedi:
- Sente-se aí na cama e me conte o que sabe.
Meu anjo fez uma cara de quem guarda um grande segredo e começou a me contar o que descobrira:
- Aqui é um hospício e você está aqui porque fala comigo.
Achei injusto e fiquei alterado, com vontade de gritar. Como não adiantava nada ficar assim, me acalmei e disse:
- Mas tem tanta gente lá fora que fala com anjos e com um monte de entidades!
Meu anjo era esperto, sabia conversar direitinho. Ele argumentou, talvez com razão:
- É, mas eles devem achar que eu sou um anjo muito violento. Talvez, se eu fosse bem tranqüilo, você saísse daqui."

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